Celebrando a tradição milenar do teatro de sombras, o espetáculo “Rainha Vashti” estreia na próxima quinta-feira (13), no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), em Salvador. A temporada contará com doze apresentações, sempre às quintas e sextas-feiras, até 12 de dezembro, com sessões marcadas para 18h30 e 20h.
Os ingressos estão disponíveis na plataforma Sympla, por R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada). A montagem, inspirada na obra da escritora Myriam Fraga (1937–2016), tem direção e criação das figuras de sombra assinadas por Olga Gómez. O elenco conta ainda com narração de Rita Assemany, consultoria de Marcus Sampaio e direção musical de Uibitu Smetak.
Segundo Olga Gómez, a fusão entre poesia e teatro de sombras proporciona ao público uma vivência sensorial única. “Enquanto a poesia nos torna sempre mais perspicazes e atentos, o teatro de sombras é uma arte dedicada aos sentidos, que permite a participação completa do espectador”, afirma a diretora.
Esta é a quarta produção do Grupo A RODA baseada em poemas de Myriam Fraga. “Ainda em vida, Myriam nos confiou esse maravilhoso poema lírico no qual ela trabalhou por muito tempo. Chegou o momento de cumprirmos a promessa que fizemos a ela e encená-lo pela primeira vez, o que é também uma homenagem à memória da poeta”, destaca Gómez.
A trama apresenta a história da lendária rainha Vashti, esposa do rei Ashuero, inspirada em um relato bíblico. Descrita como a mulher mais bela do império persa, Vashti desafia o rei ao recusar-se a dançar diante de seus convidados em um banquete, atitude que lhe custa o exílio definitivo da corte. Seu gesto é interpretado como uma demonstração de coragem e integridade frente ao poder absoluto do monarca.
A decisão de bani-la, tomada pelos governadores persas, tinha o propósito de reafirmar a autoridade masculina em todo o império. No entanto, o ato de resistência de Vashti acabou simbolizando o oposto — um despertar de rebeldia e questionamento das estruturas de poder. O espetáculo utiliza essa narrativa para refletir sobre o silenciamento da voz feminina e a fragilidade do domínio autoritário.

