Vivemos em um tempo em que estar “conectado” parece sinônimo de estar sempre disponível, online, produtivo, presente nas redes. Mas, paradoxalmente, nunca estivemos tão solitários. A solidão silenciosa, aquela que se esconde atrás das telas e da rotina, tem afetado cada vez mais a saúde mental das pessoas.
Estudos em neuropsicologia e psicologia social mostram que as conexões humanas são uma necessidade biológica. Nosso cérebro é moldado para o convívio: vínculos afetivos saudáveis estimulam neurotransmissores ligados ao bem-estar, como dopamina e ocitocina, reduzindo níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Em outras palavras, relações positivas protegem o corpo e a mente.
Mas é importante lembrar: também existe o autocuidado social.
Cuidar da saúde mental não se resume a momentos de silêncio, terapias, e consciência de si. Inclui também nutrir vínculos que nos fortalecem, impor limites que nos protegem e dizer “não” quando o outro ultrapassa o que é saudável para nós.
A IMPORTÂNCIA DOS VÍNCULOS SAUDÁVEIS
Relacionamentos baseados em respeito, empatia e reciprocidade são fundamentais para o equilíbrio emocional. Eles funcionam como uma “rede de apoio”, ajudando-nos a enfrentar perdas, desafios e mudanças. A rede de apoio pode incluir amigos, familiares, colegas de trabalho, vizinhos e, em muitos casos, profissionais de saúde mental.
Ter uma rede de apoio não significa depender emocionalmente, mas reconhecer que não precisamos enfrentar tudo sozinhos. A partilha do afeto e da escuta é um ato de cuidado e, muitas vezes, um fator de proteção contra o adoecimento psíquico.
LIMITES E HABILIDADES SOCIAIS: OS PILARES DA CONVIVÊNCIA SAUDÁVEL
Saber colocar limites é uma das formas mais potentes de preservar a saúde mental. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) nos ensina que dizer “não” não é um ato de rejeição, mas de autorrespeito.
Quando dizemos “sim” a tudo, por medo de desagradar ou de sermos rejeitados, acabamos nos afastando de nós mesmas e o preço emocional pode ser alto: ansiedade, esgotamento, culpa, entre outros.
Praticar habilidades sociais como empatia, assertividade e escuta ativa, fortalece os vínculos e reduz conflitos. São aprendizados que transformam relações superficiais em conexões genuínas.
EMPATIA E AFETO: NUTRIENTES EMOCIONAIS
A empatia é a ponte que nos liga ao outro. Ser empático não é absorver o sofrimento alheio, mas compreender e acolher sem julgamento. Já o afeto é o que dá sentido à vida: abraços, palavras gentis e gestos de cuidado liberam substâncias neuroquímicas que literalmente curam o cérebro.
Conexões reais são o antídoto contra o vazio emocional que tantas pessoas sentem.
Cuidar de si é importante. Mas cuidar com o outro é essencial.
Praticar o autocuidado social é escolher se cercar de pessoas que nos fazem bem, que nos respeitam e que torcem pela nossa leveza.
Porque, no fim, a vida pode ser mais leve quando não é vivida sozinha!
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Helena Gonçalves
Psicóloga | Especialista em Saúde da Mulher | Terapia Cognitivo Comportamental

