Colégio particular na Bahia realiza apresentação do Dia da Consciência Negra com aluno negro amarrado a um tronco

Foto: Reprodução

Um vídeo divulgado por uma escola do interior da Bahia provocou grande repercussão nas redes sociais nesta quarta-feira (24). As imagens, registradas no Colégio Adventista de Alagoinhas, no nordeste do estado, mostram um aluno negro amarrado a um tronco cenográfico durante uma atividade relacionada ao Dia da Consciência Negra.

Na gravação — que já foi retirada das redes da instituição — o estudante aparece com roupas rasgadas, preso a um poste coberto por papel para simular um tronco. Ao lado dele, outro aluno, branco, utiliza chapéu e segura um chicote, compondo a encenação.

A publicação recebeu inúmeras críticas, entre elas as da escritora e professora baiana Bárbara Carine. Em um vídeo, ela comentou o episódio e condenou a forma como a escola decidiu representar a população negra.

“Uma escola de Alagoinhas, na Bahia, uma escola privada e religiosa, que decidiu fazer um trabalho na Semana da Consciência Negra em homenagem ao histórico de lutas das comunidades negras. E teve a brilhante ideia, o corpo docente, de colocar um menino negro num tronco recebendo chicotadas em memória à luta negra no Brasil. E também teve a brilhante ideia de colocar uma menina branca com uma caneta na mão assinando a Lei Áurea para representar a memória do povo negro”, disse, lembrando outra cena registrada na atividade.

Ela ainda ressaltou que diversas figuras negras importantes, como Luiz Gama, Luísa Mahin e Maria Felipa, poderiam ter sido escolhidas para compor a homenagem. “Mas, o pessoal decidiu reproduzir dor na escola, decidiu reproduzir violência na escola, decidiu reproduzir protagonismo branco na escola. Não faz sentido”, afirmou.

Em nota, o Colégio Adventista de Alagoinhas declarou que as imagens que circulam estão “desconectados de seu contexto completo” da atividade, o que, segundo a instituição, pode gerar entendimentos equivocados. A escola também afirmou repudiar qualquer manifestação racista.

Confira a nota na íntegra:

“O Colégio Adventista de Alagoinhas repudia qualquer forma de racismo e mantém, como valor inegociável, o compromisso com a dignidade humana, o respeito às diferenças, a igualdade e a justiça. Esses princípios estão alinhados à filosofia da Educação Adventista, fundamentada em um ensino integral, pautado em valores cristãos e humanitários.

Toda prática pedagógica é avaliada com seriedade, especialmente quando envolve questões sensíveis como relações étnico-raciais. O objetivo é refletir fielmente os valores institucionais que orientam o Colégio.

Em relação às interpretações sobre fatos históricos apresentados por alunos durante atividade pedagógica realizada no Dia da Consciência Negra, a instituição lamenta profundamente qualquer entendimento que tenha sido diferente dos valores que defende.

Vale destacar que os vídeos que circularam nas redes sociais consistem em trechos isolados da atividade pedagógica. Estão, portanto, desconectados de seu contexto completo, o que compromete a compreensão integral do conteúdo trabalhado. A circulação de recortes descontextualizados pode gerar interpretações equivocadas e contribui para a disseminação de informações imprecisas.

O Colégio Adventista de Alagoinhas, por meio de sua proposta pedagógica e dos documentos norteadores, promove o fortalecimento da consciência histórica; a valorização do povo negro; a rejeição clara de toda forma de discriminação, e uma formação cidadã ética, responsável e antirracista.

Além disso, trabalha diariamente para que seus estudantes desenvolvam visão crítica, sensibilidade social e compreensão profunda da dignidade de todas as pessoas.

Estamos à disposição dos pais e da comunidade, por meio da nossa direção, para quaisquer outros esclarecimentos sobre o assunto.”

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